Duas artesãs de Tibagi tiveram peças selecionadas para exposição no 3o Salão Nacional de Cerâmica, que inicia neste dia 1o e vai até 4 de julho em Curitiba.
Elisabethe Bittencourt e Janice Ruivo fazem parte do grupo de Ceramistas Guacecília e obras suas foram escolhidas para a mostra: panela com alça de peixe (de Elizabethe) e escultura de São Francisco (de Janice), ambas na categoria Cerâmica Popular. As duas peças serão publicadas no Catálogo Nacional da Cerâmica promovido durante o evento pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná.
Para a coordenadora do grupo, Patrícia G. Melo de Geus, o reconhecimento dos trabalhos foi uma surpresa. “Estão todos bastante lisonjeados. Ninguém esperava participar dessa forma que, para nós, já é motivo de comemoração. Nossa intenção era apenas visitar o salão, conhecer esse trabalho e fomos surpreendidos com essa notícia”, revela. Ela destaca ainda a concorrência de participação nessa edição nacional. “São muitos artistas de todos os cantos do Brasil e nossa cidade foi premiada com duas artistas selecionadas”, enfatiza.
Elizabethe relata que quando o grupo enviou 15 peças para avaliação, não havia a pretensão de serem escolhidas, a participação já era o bastante. “Então foi uma surpresa e uma alegria imensa”, diz. Janice, que há três anos começou a esculpir com argila, agora tem um motivo a mais para ser devota de São Francisco. “Já fazia imagens de santos, mas a dele foi escolhida”, comenta, acrescentando que foi emocionante o resultado da seleção. “É um estímulo a mais”. A artesã ressalta que fazer parte do grupo Guacecília é uma terapia, além de profissionalização. “Acabei me apaixonando pela arte e agora estou aqui, com a mão no barro”, completa.
O município de Tibagi é o único dos Campos Gerais selecionado na categoria. Do Paraná são dez cidades participantes: Curitiba, Maringá, Campina Sul, Cascavel, Campo Largo, Guaraqueçaba, Paranaguá, Itaperuçu, Rolândia e Tibagi. Junto do Salão Nacional de Cerâmica, acontece no Sesc da Esquina, em Curitiba, o Congresso Nacional de Cerâmica, com debates e 24 oficinas para profissionais e estudantes da área. O grupo de Tibagi vai participar das atividades.
Guacecília
Patrícia conta que o grupo surgiu no ano passado da curiosidade e do desejo de que a nova técnica de arte fosse aprimorada em Tibagi. Em pouco tempo, os trabalhos resultaram em geração de renda, trabalho e incentivo à cultura. Agora, o Guacecília está sendo formalizado com a constituição de diretoria.
O aprimoramento da arte conta com apoio do Sindicato Rural de Tibagi, que oferta cursos de qualificação através do Senar e ainda dispõe de espaço para as aulas e encontros semanais dos artesãos. “Já cedemos um novo espaço para que o grupo possa se reunir e dar continuidade a esse trabalho que mesmo precoce já colhe frutos”, detalha o presidente da entidade, Ivo Carlos Arnt Filho. Também neste espaço está sendo construído um novo forno que será utilizado para queimar as peças produzidas e atender a todos os integrantes do grupo.
“No ano passado propiciamos uma viagem técnica a Campo Largo e Quatro Barras, que são referências nesse trabalho e serviram de estímulo para que o artesão, produtor rural ou não, possa disseminar conhecimento e até se beneficiar com uma renda extra”, completa Ivo. A iniciativa recebe o apoio através do projeto de cadeias produtivas do Sindicato.
Curso
Em maio de 2009, o Sindicato Rural de Tibagi, o Senar e a Associação Tibagiana de Artesanato (Atiart) promoveram a primeira etapa do curso de cerâmica que reuniu interessados de todo município. Patrícia de Geus explica que o primeiro contato foi simplesmente de experimentação. “A curiosidade motivou as pessoas a participarem do curso e a partir daí todos viram que era possível produzir belas artes e ainda por cima ganhar dinheiro com esse trabalho”, recorda.
Em seguida vieram as viagens técnicas oferecidas pelo Sindicato para Campo Largo e Quatro Barras. “Pudemos conhecer melhor o trabalho de cerâmicas e lojas especializadas. Conhecemos ainda novas técnicas e equipamentos utilizados na confecção das obras. As viagens foram uma injeção de ânimo para todo grupo e uma forma de unir ainda mais”, conta a coordenadora.
Atualmente, 18 homens e mulheres de diferentes idades integram o grupo de Ceramistas Guacecília. O trabalho é segmentado no estilo particular de cada ceramista como sacro, bijuterias – que é uma das técnicas inovadoras da argila – vasos, cachepôs, molduras, panelas, esculturas, decorativas e utilitários. “Já temos até encomendas para produzir. Isso faz com que trabalhemos de maneira mais consciente, reciclando o máximo de materiais e reduzindo o desperdício”, salienta Lenise Astegher Martins Gomes, participante do grupo.
O nome Guacecília teve base em pesquisa sobre a vespa construtora dos ninhos de barro no município. Em Tibagi, identifica-se a vespa com o nome Guaxixira (Cecília), nome popular na região apontado pelos integrantes da cerâmica. O grupo faz uma homenagem também ao Parque Estadual do Guartelá, maior ícone turístico da cidade conhecido como o sexto maior canyon do mundo em extensão.
Interessados em conhecer mais sobre a prática de artesanato à base de argila pode procurar o Sindicato Rural de Tibagi através do telefone (42) 3275-1204 para agendar uma visita.
Texto: Emanoelle Wisnievski com Assessorias
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